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Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Passeios de maresia

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(Mindelo, 03/05/2018)

 

 A flora dunar de Mindelo segue comigo. Colada àquilo que sou dentro. Algumas flores, trago-as nas mãos gélidas de nortada. Mas entretanto, descansam do seu bailado na madeira do passadiço envelhecido.

 

Não me canso destes passeios de maresia ...

E se...?

  O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.

(FP)

 

 

   E deve ser por isso que os insetos se sentem irremediavelmente atraídos para uma luz que os queima, incendeia e consome... E deve ser neste momento que a intensidade supera a duração das suas vidas.

 

  Sempre acreditei que seria mais pirilampo do que inseto atraído pela luz. Que seria mais a estrela com luz própria e menos o planeta que orbita em seu redor...mas...

what if? 

 

E se, por um momento eu quisesse prescindir da luz, e procurar outra mais forte? Ainda que queime, incendeie e me consuma?

 

E se?

 

Faz-me falta sentir...

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Faz-me falta sentir.

 

Faz-me falta o sobressalto, a antecipação, a descoberta, a excitação... 

No correr dos dias, às vezes adormecemos os sentimentos que nos movem e perdemo-nos no mecanicismo dos quotidianos que se sucedem sem parar, sempre com exigências, sempre com horários a cumprir, sempre com urgências que têm de ser satisfeitas com pressa...

Ontem acordei nesta dormência e disse de mim para mim: 'Pera lá... tu não és assim! Onde está a tua energia e a tua vivacidade ? As tuas loucuras, onde estão?

E então, (it suddenly hits me) tomei consciência de que não voltarei a amar. E não foi uma decisão minha, juro que não foi. Não desta vez. Foi mesmo uma tomada de consciência, o constatar de um facto - o de não conseguir mais ceder a uma entrega. Nem mais uma.

Olhando para dentro de mim, sei isso. Lastimo, mas aceito a abnegação.  E penso nisto com maior profundidade. Não sou a mesma que fui. Ganhei resistências que obstaculizam a proliferaçao dos sentimentos, e isto, deixa-me segura e confiante, mas também triste.

 

Quando era miúda, descia uma rampa, na rua da casa dos meus avós, de carrinho de rolamentos. Às vezes aquilo virava e raspava os joelhos no cimento do passeio. Mas não fazia mal, porque sacudida a poeira e limpos os arranhões, com o que tinha à mão, lá estava eu, resiliente, a puxar o carrinho, subida acima, para poder voltar a sentir a adrenalina de mais uma descida. 

Em adolescente, quando caía de mota, ou mesmo depois de um acidente, mal podia esperar para voltar a conduzí-la. E mesmo quando me diziam para ter calma e eu respondia que estava calma, a ânsia de correr em frente e o sobressalto das emoções gritavam bem alto o meu nome e a calma era uma coisa que eu nem sequer sabia existir...

Já mulher adulta voltei a cair várias vezes, capotei o carro (só uma vez e chegou), apaixonei-me e desapaixonei-me em lágrimas, acreditei que tudo ia dar certo e depois não deu... mas ainda assim mantive a insistência de correr atrás do que me faz feliz, do que me faz sentir viva, do que me aquece por dentro e não me deixa esquecer de quem sou.

As paixões... Ah! As paixões moviam-me como nortadas a sustentar o planar das gaivotas sobre um mar de águas agitadas... E eu era feliz, muitas vezes, e, noutras era infeliz, e revoltada, e extasiada, e miserável, e maravilhada... quero dizer com isto tudo, que havia dentro de mim um turbilhão de sentimentos que me arrebatavam, mas que me faziam viver a minha vida, da forma como sempre vivi: apaixonadamente!

 

Medos?! Não tinha medo de nada? Acreditava que seria sempre vencedora, mesmo que a angústia me derrotasse no final, já tinha ganho no início, pois tinha vivido, mesmo que esperneasse de infelicidade, já tinha sido feliz entretanto. Acreditava que a minha vontade e os meus ideiais iriam impulsionar-me sempre e que seguiria o caminho que eles me indicassem, sempre em velocidade, energia e sagacidade.

 

 Mas ontem acordei dormente e apercebi-me que as últimas quedas impriram em mim uma coisa estranha - algo que está entre a sensatez e o medo da entrega. E é assim que sei que não voltarei a amar. É este medo que me incomoda - pois se nunca fui assim?! - esta necessidade de filtrar o que me permito sentir, e de limitar o que extravasa de mim...

Acho que quando amamos, quando amamos mesmo, incondicionalmente alguém, não há espaço para medos, para reservas, para proteções individuais... porque há algo mágico neste sentimento que nos impulsiona para a entrega... E eu sei que não permitirei mais entregas, e nisto não tenho escolha.

Não estou miserável, nem infeliz. Estou consciente das minhas limitações. 

Não deixei de acreditar no amor. Não. Sei que existe, que é mágico e que tem um poder absurdo. Mas também sei que foi excluído da minha vida.

Sei disso e experimento outro amor mais centrado, mas não menos arrebatador- o de ser mãe das melhores pessoinhas que povoam o meu mundo!

 

Viva a mim!

Sou uma morcona

 

Sou uma morcona!

 

É isto!

 

Sou uma morcona, porque às vezes duvido de mim e da minha força. Porque, muitas vezes, me questiono se serei realmente a mulher que quero ser... Se os meus defeitos (que são muitos) superam as minhas virtudes... Se sou realmente forte para aguentar as batalhas que tenho pela frente...

 

 

 

Sou uma morcona, porque acredito que os abraços tornam tudo muito mais fácil de superar. Porque gosto de comédias românticas e leves com finais felizes... e pior, porque muitas vezes (e secretamente) gosto de me identificar com elas... Porque no fundo do que sou, gostava de acreditar em fadas, dragões, duendes e bruxas (em príncipes, não! Por quem me tomam? Já cresci o suficiente!) Porque tenho músicas que me arrepiam, outras que me enlouquecem de alegria e outras que me deprimem com gravidade, e gosto de as ouvir a todas!

Sou uma morcona, porque teimo em acreditar que quase todas as pessoas são boas pessoas. Porque gosto de comer gelados a meio da noite, gosto mesmo de sorrir, de chapinhar na chuva e de cantar (e dançar) no carro com os vidros abertos (quem?!? eu?!? não, não era eu!)...

Sou uma morcona, porque ainda equaciono comprar uns patins em linha para aprender a andar (e a cair) neles, só pelo prazer que adivinho que venha daí... Porque ainda reincido na tentação de fazer a roda na praia, de cada vez que ponho as patinhas na areia...

Sou uma morcona porque me armo em independente, mas quem me tira os meus pais e as minhas ricas filhas, tira-me tudo! Porque tenho a mania de que só eu é que sei, mas questiono-me vezes demais. Sou uma morcona porque devia ter mais do que uma pokerface de seriedade e não tenho. Porque sou transparente que não consigo mentir sem me denunciar. Sou, definitivamente uma morcona porque já devia ter idade para ter juizo e não tenho, e sinceramente não sei se algum dia o virei a ter... 

E pronto, acho que é isto! Sou uma morcona!

Por mais que me digam "Ah... e tal és uma grande mulher, assertiva, profissionalmente produtiva, cheia de força, vontade e determinação..." No fim de contas, bate-me com força: Eu-sou-u-ma-mor-co-na!

 

id. idiota, imbecil, lorpa, parva...

Já passaram 3 semanas?!?!

 Bolas!

 

Há coisas que não mudam nunca. E eu já sei que sou muito mais sensível do que algumas das minhas amigas! Não doi nada, não sejas lamechas! Não doi?!? Não lhes doi a elas, (fuck)!

 

Eu explico:

 

Amanhã é sábado e é dia de depilação... Digo isto com uma voz mais grave, demorando na última sílaba e fechando os olhos enquanto a pronuncio... E penso: Bolas! Já?!? Outra vez tortura?!?

 

E lá vou eu de iniciativa própria, com horário agendado com 3 semanas de antecedência, muito ciente daquilo a que vou ser sujeita...

 

 

Não, não é que me estejam a apontar uma arma a cabeça e a obrigar-me e, com 3 semanas de antecedência, também não posso dizer que é um devaneio casual. Não é. Vou passar uma hora de tortura chinesa, num misto de posições de yoga com exercícios respiratórios pré-parto, apenas e simplesmente porque quero.

 

É só amanhã, mas hoje antevejo:

 

- Bom dia, vem bem disposta hoje? Vamos lá?

- Bom dia. Vamos lá... para a câmara da tortura, mas vamos ver se a R. desta vez vai ser mais meiga e não me arranca a alma!...

- Ahah! Lá está a S. a brincar outra vez!

(o pior é que não estou mesmo. para mim é mesmo uma câmara de tortura.)

(e agora em fast foward o que se passa naquela marquesa, que não é bom entrar em detalhes nestas coisas e já transpiro na antecipação da ação que se vai desenrolar)

- Deite, vire mais para cá, levante esta perna, muito bem e agora a outra perna, abra, abra mais um pouquinho...

(e eu já estou a morder-me toda e a gemer para dentro para não dar parte fraca, mas a saga continua)

- Vá... não está a doer assim tanto, pois não? As férias já acabaram ou ainda vai para  a praia?

(Hell no!! Aguentar-me à bronca quando parece que me estão a arrancar a alma pelos poros das virilhas, ainda vá que não vá, mas fazer conversa em plena fase de tortura, aí já é outra história... e então eu digo, rapidamente e num grito esganiçado: Nao vou à praia, mas se prometer que despacha isto rápido, pode ser que considere... Só quero mesmo é sair daquiii! Uiiii! que doeu!)

(e assim continuamos)

- Desculpe, já está, já vai passar...

- Já está? Mesmo? (incrédula)

- Esta parte já está...

(logo vi que era falso alarme, e portanto vamos fazer outra vez um fast foward)

- Agora vire-se, ainda falta atrás, mas vai ser mais rápido. Segure aqui por favor, abra, mais, que está quase...  

(e já estou a suar e passa pó de talco e suspiro e transpiro outra vez, GOD!)

- Pronto vamos passar óleo. 

(a minha alma (e corpo) inteira rejubila nesta fase. Juro por deus que oiço coros de anjos na minha cabeça!!!)

 

- Agora axilas! (Ahhhhggghhhh! Eu sabia que não podia durar muito, o êxtase!)

 

Ao fim de mais 15 minutos, lá saio eu, como nova! -  a sentir-me mais leve, mais sexy, mais de bem com a vida e tudo e tudo e tudo, mas... fuck! Quem diz que isto não doi, só pode estar a gozar comigo! Ou então sou mesmo eu que sou muiiiito sensível e mariquinhas...

 

Bem, só mesmo para terminar, há uma afirmação sobre este tema que não me sai da cabeça!... Ainda pensei em zelar pela minha dignidade e manter o meu pudor, mas... como é legível, no texto acima, esses ficaram na marquesa da esteticista! Assim, cá vai: como diz a vlogger Melissa Silva aqui

" Fazer a depilação é como pinar no carro! Ficamos sempre numa posição esquisita, pode ser que nos aleijemos, mas no fim, vale a pena!"

 

PS - Esclarecimento extra e só para que não restem dúvidas... Não tenho a certeza se será assim (nunca me aleijei  :s )...mas de qualquer forma, parece-me uma comparação aceitável! :)

Mente que eu deixo.

 

 

Às vezes penso nisto...

 

Detestar a mentira é óbvio para muita gente, incluindo eu. Sempre vesti a camisola da equipa da verdade, verdadinha - aquele grupo de pessoas que prefere uma verdade que magoa a uma mentira que apazigua...

 

Isto sou eu, que prefiro saber de cor, as cores e feitios das linhas com que me coso, para poder antecipar e entender as situações com que me deparo na vida. 

 

Mesmo (e sobretudo) quando as verdades são crueis e dolorosas, mesmo que me amassem, dobrem e rasguem por dentro - Continuo a preferí-las, ao conforto da ignorância. Sou grande o suficiente para cair e levantar-me de novo. E se não for assim, não cresço, certo? Por isso, nunca gostei que me "protegessem" das verdades, porque não preciso de proteção contra aquilo que me faz crescer como pessoa. Às vezes, preciso de um abraço a seguir, mas isso é só mimo...

 

Mas, tenho mesmo de confessar isto.

Às vezes, e muito de vez em quando, gosto das mentiras que surgem nas pequenas coisas.

Por isso, não me enganes com verdades, mas deslumbra-me com mentiras e diz-me: diz-me que o meu sorriso te aquece, diz-me que os teus planos começam na concretização dos meus sonhos, diz-me que a minha loucura te extasia e que os meus beijos te incendeiam... Mente-me assim, que assim não conta! 

É que, sabes uma coisa?... Às vezes também minto. E, sabes qual é a minha maior mentira?...   Resume-se a uma palavra:   "Pára".

Sofro... de urgências!

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Existem várias coisas que me consomem... mas uma tem-me assolado espírito por diversas vezes - não sou de me contentar com frações!

Quero sempre tudo por inteiro!

E os meus agoras são imediatamentes.

E não sei ser de outra maneira.

 

Hoje, num telefonema profissional, alguém me disse do outro lado da linha: "Menina, é segunda feira de manhã e já está a mil?!?" Pois é, a questão é essa, não me importa que seja segunda de manhã, quarta à tarde ou sexta à noite... não consigo diminuir as rotações...

 

Sofro de vontades que precisam de ser satisfeitas, de ânsias de querer realizar tudo, de querer abraçar tudo...

E no meio do meu mundo inteiro, aparece uma metade que me faz questionar... Serei assim tão estranhamente desconectada da realidade?

 

 

A verdade é que gosto de pensar que tenho razão, que só eu é que sei... - Esta é a minha zona de conforto: rodear-me das razões que me atribuo e racionalizo... Ai, como racionalizo! Como tento atribuir sentidos, significados, razões de ser ...! Como gosto de controlar o meu mundo...

 

Sei que não fui sempre assim, que a minha essência é impulsiva, emotiva e sensitiva, mas parece que no caminho para me tornar na mulher que sou, edifiquei barreiras e usei a racionalização como escudo, porque ao contrário do que acontece quando sentimos, quando racionalizamos, não nos magoamos... A razão é sempre um terreno seguro, mas as sensações que experimentamos fora dela são areias movediças, que nos fazem questionar quem somos. Se realmente somos quem somos...

 

 E, contudo... não se vive intensamente na razão, certo?

 

 Sou composta por urgências:

Minhas alegrias são intensas;

Minhas tristezas, absolutas.

Me entupo de ausências,

Me esvazio de excessos.

Eu não caibo no estreito, 

Eu só vivo nos extremos.

Clarice Lispector

 

Não sou mulher de meio copo. Se não está cheio: não o quero. Se não está cheio: nem sequer é um copo. Antes não beber do que beber apenas o possível. O possível que se dane. O possível é demasiado fácil para me arrebatar.

PCF

Dilema

Recentemente, ouvi dizer que "a ausência de sentimentos profundos exacerba os sentidos". Nunca tinha pensado muito nisto, até porque moi même se considera uma pessoa de sentidos com sentimento... Talvez numa ou noutra conversa com a minha amiga L. este conceito de libertação de sentimento tenha estado lá... Ela diz que é ótimo porque não há cobranças, nem discussões parasitas, nem amarras... (E entre o amarrar e o agarrar com força, vai uma diferença abismal - as amarras quero-as longe, mas um agarrar forte, aproxima!) Mas eu, não fui feita para preencher vazios com outras coisas que não as que me movem... But then again, entre o agarrar e o amarrar... (Suspiro) Acho que faz parte da feminilidade a que estou sujeita, desde a fecundação que me deu origem, a questão de racionalizar as coisas. Principalmente as que não envolvem sentimentos profundos, pois normalmente quando estão presentes esses sentimentos, aí parece que perco essa capacidade e emburreço. É sou mesmo eu, assim... Mas voltando à exacerbação dos sentidos, tenho discutido muito este assunto e os pontos de vista com que me cruzo estão em opostos distintos do meu. É isto faz-me um bocado de comichão - está tudo doido, ou sou eu que sou estranha? É, se calhar sou só estranha... Bem me parece que é mais uma evidência da minha estranheza... Como a de gostar de dobras interiores! Deve ser isso, só pode! E é a primeira vez que posto via telemovel, portanto, se correr mal, correu!

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