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Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Hoje fui...

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Hoje foi dia de correr no parque sozinha na torrente de gente que os primeiros domingos solarengos trazem à rua...

 

Foi dia de me livrar das ansiedades típicas de final de período letivo, de correr muito com elas, até as deixar para trás e ofegante, não sentir perda nenhuma.

 

 

 

(Guimarães, 02/04/2017 - 18:15)

 

Foi dia de respirar profundamente e de me convencer que o horário da manhã daquelas aulas de yoga cabe perfeitamente no meu, em alguns dias. De me comprometer com a inscrição que farei na próxima semana. 

  

E no meio da corrida, ou, para ser mais verdadeira, no meio da passada acelerada, porque estava demasiado cansada para correr o caminho todo... Demasiado enebriada pelo sol, pela música que levava nos ouvidos, e pela sensação de liberdade, lembrei-me que sou mulher para além de mãe e filha e professora e amiga e ... todos os papéis possíveis que possa desempenhar ainda... 

 

Lembrei-me que às vezes me esqueço disso e que sou mais mãe, ou mais filha, ou mais professora, antes de ser mulher. Porquê? Acho que os acontecimentos do meu passado recente me levaram, de certa forma, a desligar-me da minha esssência e forçaram-me a existir apenas no prolongamento das relações que tenho com os outros... E hoje admiti-o perante mim. O que é um grande feito! porque dei o primeiro passo, não para voltar à mulher que fui, mas para deixar crescer a mulher que sou e que ainda quero ser. Por mim. porque por muito amor que tenha pelos outros, as nossas relações só serão mais fortes, mais ricas e efémeras se eu existir fora delas também.

 

Por isso hoje fui... fui correr... fui pensar... fui sentir... e fui ser mulher!

 

 

 

 

Uma paixão antiga

 

De volta às salas de aula!

E sinto-me como se nunca tivesse deixado de pertencer aqui... No último par de anos, a minha vida obrigou-me a reformular estratégias de vida e a tomar decisões difíceis. Uma delas foi a de abdicar do meu amor pelo ensino, em detrimento de um salário justo, condições mínimas de estabilidade, entre outras questões ligadas à vida real de uma mãe que tem que providenciar sustento às crias e contas para pagar ao fim do mês...

Nos últimos dois anos, desenvolvi, com sucesso, outra atividade profissional... que me enriqueceu enquanto pessoa, com a qual me comprometi a 100%, mas que de facto, não me instigou a mesma paixão que encontro no ensinar, no aprender, no fazer descobrir... mas sobretudo no grande desafio que é trabalhar com as nossas crianças e jovens (mesmo os mais difíceis!).

Esta mudança tem-me roubado muito tempo, as minhas crianças (ou melhor, as otites e laringites das minhas crianças) não me têm dado muitas tréguas...

E é isto: No meio das planificações, das avaliações intercalares, da preparação de aulas, dos ben-u-rons, dos lenços ranhosos, do horário rígido dos antibióticos...tinha que encontrar um bocadinho de tempo para vir cá dizer:

 

 - Estou bem! Agradecida, feliz e cansada. Mas estou maravilhosamente bem!

(As crias também vão ficar. Sei que sim.)

Entre o 'What if?' e o 'Whatever...'

 

 De repente, o burburinho cessa na minha vida. Há uma pausa que me coloca em suspenso, em silêncio, numa inspiração que se sustém indeterminadamente, e aí eu sei. Sei que é tempo de me ouvir de novo, antes da exalação que permanece adiada, enlaçada num nó na garganta.

 

E lembro a historinha da mosca pousada no quadro - aquela que diz que a mosca pousada na tela só perceciona um fragmento, um borrão de tinta, mas ao afastar-se, voando para longe da tela, consegue apreender o seu significado...

 

 

De facto, penso, a distância clarifica a perceção.

 

And then it hits me - What if?

 

 E se? E se me enganei nalguma curva da vida?

É certo que cada vez que aceitamos um caminho, renunciamos outros. E não há retorno. É a magia da múltipla escolha e do livre arbitrío.

  

But then again... 

 

Reflito: Sempre segui as minhas convicções. Corri atrás do que achei valer a pena. Sempre. Bati o pé e estaquei obstinada, de cada vez que não via caminho em frente.Sempre. Movi-me pela vida regida pela minha força e crença. E no limite, não me desacreditei de nada.

 

E então sei. Não me enganei no caminho. Estou precisamente onde devo estar, porque foi este o caminho que escolhi de forma livre e isenta. Foi este percurso que fez de mim o que sou hoje. 

Se poderia ter sido mais feliz? Talvez. Mas não seria a mesma.

 

And then, it hits me again - Whatever!

 

E exalo de rompante, como se a minha vida inteira se dissipasse num sopro forte e contínuo. O peito, vazio e a arder, exaspera-se por nova inspiração. E então sei. Há um ciclo. Não é um círculo redundante. Mas um ciclo. Ascendente e retumbante. E nesta retumbância regressa a cadência, e afina-se a constância do burburinho... que, cansado da suspensão, volta a afirmar-se inquebrantável na minha convicção de voltar a reger-me pelas minhas leis.

 

 Mercy will we overcome this...