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Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Indícios #2 e #3

 Já falei aqui dos indícios, num post anterior...

 

Indício #2

 

- Olha, olha! Um miradouro! Vamos lá ver! (eu, com a excitação infantil que antecede a aventura de percorrer uma estrada estreitinha e pitoresca, numa aldeia antiga, mas nova para mim)

 

- Estás maluca?!? Não vou meter o carro naquele beco... E se depois não conseguimos dar a volta? (ele)

 

E eu engoli em seco e o meu olhar encheu-se de desânimo... Ainda disse que de certeza que havia espaço do outro lado, e, nao havendo, eu fazia a marcha a trás que fosse precisa... 

Não fomos. Continuamos viagem. E a marcha a trás foi feita alguns anos depois.

 

 

Indício #3 (recorrente)

 

 - Que queres fazer hoje? (eu)

 - Não sei, o que tu quiseres... (ele. E eu sei que isto quer dizer subliminarmente: não podemos ficar em casa no sofá a ver TV?)

 - Podíamos fazer uma coisa nova... Vamos até ao centro histórico e depois podemos jantar naquele sítio novo, o XPTO..? (eu)

 - Hum... Não me apetece muito caminhar... e depois também não quero gastar dinheiro no jantar. (ele) 

 - Pronto, vamos só ao centro histórico tomar um café na esplanada, ok? (eu)

- Tu e a tua mania de quereres sair sempre... Prefiro ficar antes aqui. (ele)

 

E ficou. E eu fui. 

Assim não havia mesmo espaço para o "ficamos" nem para o "fomos"... porque estavamos juntos, mas isoladamente. Até que deixamos de estar.

 

 

 

Indícios #1

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Pois é... Os indícios...São assim, pensamentos, sensações, vozinhas sussurrantes que nos tentam avisar de que algo não está bem, e às quais, geralmente, não prestamos atenção por mais de 15 segundos, mas que depois, quando as coisas dão mesmo para o torto, voltam para nos trucidar com o maldito "eu não te avisei?!?".

Hoje dei por mim a pensar nas relações que estabelecemos e que bem-lá-no-fundo sabemos que não vão resultar (porque há indícios que nos garantem isso) mas que insistimos em fazer resultar... pelo menos até onde der...

De facto, na minha vida, deparei-me com alguns destes indícios que estupidamente ignorei, na altura. Ou porque via o mundo com uns óculos cor-de-rosa (que só quem está apaixonado é que consegue usar), ou porque pensei que era só eu a pensar demais nas coisas e que a minha mania de questionar as situações estava a querer privar-me da felicidade do momento (e na realidade este pensamento de pensar que eram só coisas da minha cabeça é que era o over-thinking, e não o anterior...- Sou um bocadinho complicada, não sou?)

 

Bem, cá está então o indício que me assolou hoje:

 

Indício #1

Na condução:

- Amor, porque vais tão devagar? (eu)

- Devagar!? Mas tens pressa para ir a algum lado? (ele)

 

Não, eu não tinha pressa para ir a lado nenhum, mas simplesmente não consigo suportar a condução lenta... e fazia-me comichão ter de ir a 100 Km/h na autoestrada, ou a menos de 60km/h nas nacionais... 

 

E depois, lembro-me de ter pensado: se calhar sou só eu que sou aceleradinha por natureza... isto até nem é grave e até pode ser que eu me habitue a esta nova velocidade de deslocação. Nada mais errado! Nunca consegui. E em todas as viagens que não era eu a conduzir, sempre a mesma coisa - aquele fervilhar de ansiedade, de nervosinho crescente, e progressivamente sem a condescendência dos apaixonados... 

Lost in translation

 

 

 

Fui ao outro lado do mundo e voltei por caminhos diferentes...

 

 

E no regresso, por pouco não me cruzei com as mesmas caras, os mesmos abraços, os mesmos sorrisos...

 

 

 

 

Às vezes, a minha vida sacode-me, arrebata-me e eu surpreendo-me!

Às vezes, olho para trás e tenho para mim que houve fragmentos do meu passado que me seguiram, não de muito longe, mas a uma distância segura, para que nem sempre me apercebesse deles... E nao falo daqueles fragmentos que ficaram gravados em mim, que se acomodaram endossimbioticamente na pessoa que vou sendo.. 

Fragmentos de outras vidas cujos caminhos passaram e tocaram os meus com graus variados de intensidade, mas que a distância, medida em anos, não retirou um centímetro de proximidade.

Esta vida é curiosa! Como uma tela que colorimos entre as escolhas conscientes e os acasos...e se atentarmos bem nela, se prestarmos mesmo, mas mesmo muita atenção, quase conseguimos descobrir um ressalto, uma dobra onde se deve esconder o destino...

O destino?! Nunca gostei muito de acreditar nele... E sempre receei que pudesse ser verdade, que ele viesse um dia e que provocasse uma agitação nos planos que tinha cuidadosamente delineado para mim. Como se fosse uma personagem estranha que se apropriasse do meu caderno de rascunhos e o rasurasse a vermelho, fazendo uma espécie de correção aos meus planos, às minhas escolhas, à minha vida... Quem me conhece, sabe que gosto de ter sempre razão e de dominar a minha vida. Não sou obcecada com o controlo... também gosto de ter espaço para me perder, para permitir um acesso de loucura e descontrolo, mas até isso, só quando eu quero e permito. Por isso estranho, encontrar sentido no destino, quando olho para trás e vejo que existem reflexos que não se dissiparam no tempo.

 

A minha mãe acredita que trazemos raízes de outras vidas, quando chegamos a esta. E que as pessoas, com quem nos cruzamos nesta vida, têm em si uma história implícita e indelével, como nós temos. E que é esta história que vincula as almas. Mas a minha mãe é uma romântica emotiva e otimista que acredita que o universo se encarrega de nos orientar no caminho da felicidade...Eu nunca dei muito crédito a esta forma de ver as coisas, e sempre gostei mais da ideia de ser eu a conquistar a minha felicidade, a trilhar os meus caminhos, a traçar o meu caminho no mapa e a percorrê-lo quando quero e como quero...

Mas de facto, às vezes a vida surpreende-me e parece-me, num relance, ter apanhado o destino a querer tocar na minha vida. Que fazes tu aqui? - e agito a mão, como se o sacudisse deste momento. 

 

 

 Mas sabe bem encontrar conforto e autenticidade nos lugares que visitei e nas pessoas que,

não estando lá todo o caminho,

estiveram sempre

presentes.

 

 

 

Lost in Translation - Fica a sugestão para este fim de semana.

 

 

Entre o 'What if?' e o 'Whatever...'

 

 De repente, o burburinho cessa na minha vida. Há uma pausa que me coloca em suspenso, em silêncio, numa inspiração que se sustém indeterminadamente, e aí eu sei. Sei que é tempo de me ouvir de novo, antes da exalação que permanece adiada, enlaçada num nó na garganta.

 

E lembro a historinha da mosca pousada no quadro - aquela que diz que a mosca pousada na tela só perceciona um fragmento, um borrão de tinta, mas ao afastar-se, voando para longe da tela, consegue apreender o seu significado...

 

 

De facto, penso, a distância clarifica a perceção.

 

And then it hits me - What if?

 

 E se? E se me enganei nalguma curva da vida?

É certo que cada vez que aceitamos um caminho, renunciamos outros. E não há retorno. É a magia da múltipla escolha e do livre arbitrío.

  

But then again... 

 

Reflito: Sempre segui as minhas convicções. Corri atrás do que achei valer a pena. Sempre. Bati o pé e estaquei obstinada, de cada vez que não via caminho em frente.Sempre. Movi-me pela vida regida pela minha força e crença. E no limite, não me desacreditei de nada.

 

E então sei. Não me enganei no caminho. Estou precisamente onde devo estar, porque foi este o caminho que escolhi de forma livre e isenta. Foi este percurso que fez de mim o que sou hoje. 

Se poderia ter sido mais feliz? Talvez. Mas não seria a mesma.

 

And then, it hits me again - Whatever!

 

E exalo de rompante, como se a minha vida inteira se dissipasse num sopro forte e contínuo. O peito, vazio e a arder, exaspera-se por nova inspiração. E então sei. Há um ciclo. Não é um círculo redundante. Mas um ciclo. Ascendente e retumbante. E nesta retumbância regressa a cadência, e afina-se a constância do burburinho... que, cansado da suspensão, volta a afirmar-se inquebrantável na minha convicção de voltar a reger-me pelas minhas leis.

 

 Mercy will we overcome this...