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Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Meia Laranja Inteira

Halfway there...

CORES

Verde, amarelo, lilás, azul, COR DE LARANJA...
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És definitivamente colorido... Fecho os olhos e transbordam cores vivas que se fixam num espaço que não existe... Abro os olhos e apareces tu, ao alcance de um beijo que surge num grito de liberdade sussurrado.
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VERDE
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Os meus olhos... volto a fechá-los de novo e surgem novamente telas de cores vivas que não entendo... Só podes ser tu, assim colorido, na minha mente. Como te infiltraste aqui? Deves ser tu...
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AZUL CELESTE
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Não as procuro, às cores, dentro de mim... Aparecem, com vontades e tonalidades próprias, do mesmo modo que se vão, como fluem as marés. Mas sim, são decididamente tuas...
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Cor de rosa
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E eu gosto que seja assim. Gosto de ti assim, colorido, olhando atónito a minha explosão orgasmicamente colorida. Gosto de ti assim, sem perceberes o que acontece dentro de mim... os mundos que se abrem em laranjas vivos, os pensamentos que se suavizam em azuis esverdeados, e que não consigo pôr em palavras com medo que se desfaçam... como castelos de areia à espera da onda que languidamente os vem lamber... e fazer com que desabem por terra...
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Afinal não és tu... Sou eu que sou cores, contigo cá dentro, ou por cima de mim, ou por baixo de mim... ou... ou... verdelaranjaazulvermelholiláscorderosabegeamarelobranco.... :)

Um sonho lúcido.


" E de súbito. Porque vens visitar-me? A vida entendo-a sob o signo da dureza, da inflexibilidade categórica. Deve haver um erro na minha conformação, para tu te me inserires numa dobra sensível."
Vergílio Ferreira, 'Até ao fim'
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Era estranho como se sentia, como dentro de si se moviam idéias e sentimentos alheios à sua vontade. Durante dias que havia pensado iguais, aspectos fulcrais da sua vida se modificaram, reposicionaram, redimensionaram - e só agora se interrogava.
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Espectros de luz surgiam de encontro à sua cabeceira da cama, à noite. Descansava a cabeça na almofada, mas o seu corpo transformava-se, ganhava asas de cores brilhantes. Violetas eram soltos dos seus cabelos e sua pele gritava azuis prateados que reflectiam minúsculas estrelas na noite sossegada.
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Estaria ainda num sonho? Estava, sem que pudesse magoar-se de culpas.
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Fico feliz - Uma histórinha

Hoje ainda tive tempo de dar uma volta a uns papéis que tinha cá por casa e encontrei uma historinha... Trouxe-me à memória vivências intensas dos meus tempos de Universidade. Bons tempos!
Cá está ela!
Fico Feliz...’

- Fico feliz por estares feliz. - Lembro-me de te ouvir, e lembro-me ainda de ver tristeza no teu olhar...

- Mas devias estar feliz por TI, estar feliz só por estares feliz. – Pensei enquanto sorria sem sequer saber porque sorria... talvez fosse o reflexo daquela sensação nova que me preenchia, a sensação de abraçar uma outra vida. Contudo o meu cérebro recusava-se a aceitar facilmente aquela frase e propunha-se já a divagar sobre ela...

- Fico feliz por estares assim... feliz! – Repetias-te e interrompias-me a linha de pensamento que havias desencadeado, momentos antes, sem que te apercebesses do emaranhado de ideias que me ressurgia à mente naquele instante.
Havia tristeza no teu olhar e não, definitivamente não estavas feliz. Pela simples razão de que ninguém nunca se contenta com a felicidade de outrem. E principalmente com a felicidade daqueles que ama...

- Amavas-me?


... ou julga amar em determinado instante.

- Sim, amavas-me naquele momento frágil suspenso entre nós, como se se inventasse e não existisse realmente... Também eu te havia amado noutros fugazes momentos. Como quando te amei num olhar que me tocou a alma numa praia deserta despida de corpos. Amei-te aí, e eras só olhos que me levavam para o infinito de sítio nenhum. Amei-te outra vez enquanto adormecia na curva do teu ombro e brincavas com o meu cabelo. Eras só mãos e eu amei-te nesse instante como em tantos outros que se seguiram e como noutros não te amava nem um pouquinho e como noutros chegava a odiar-te...


Não cabe nos limites daquilo que, sinceramente achamos concebível, que alguém possa ser feliz sem que encontre lugar na sua vida para nos receber. Somos assim porque somos humanos e no entanto este sentimento egoísta é destilado em segredo porque não admitimos, sequer perante nós, que a felicidade de alguém longe da nossa nos dói e incomoda. Como uma pedra no sapato que adiamos remover porque acabamos por acomodar-nos àquele incómodo. Porque a dor espicaça a sentirmo-nos vivos. E esta raiva toma um peso maior quando o dono de tamanha felicidade é também o dono de nós, de nossa vida, nosso amor...

E surge assim a agressividade surreal camuflada em frases coerentes cuja coerência não resiste à dissecação mental que exerço agora. É aqui que o amor também toca o ódio.

- Ei Mara! Estás a ouvir-me? Em que é que estás a pensar? – Ouvir o meu nome da tua boca despertou-me, não me lembrava já de quando tinha sido a ultima vez que o tinhas dito...

- Nada, estava só a pensar...
- A pensar...como sempre no teu mundo de divagações... Nunca me ouve, nunca me ouviste!
- Estava a ouvir-te... João, não sejas assim... Só que estava a pensar que já há muito tempo que não conversávamos, como duas pessoas civilizadas, sem gritos... – Mas tinhas razão, não tinha ouvido uma palavra do que tinhas dito.

Toca o ódio...

Quando começamos a exigir mais do que a felicidade de quem nos faz feliz com a sua presença. Quando começamos a exigir a presença, a participação da sua vida na nossa vida, até que a tornamos na nossa própria vida... é aqui. Que o amor toca o ódio.
Mata-se o belo que poderia nascer porque se confundem os papéis, se confundem as histórias da Minha vida e da Tua vida e de qualquer coisa que poderia ter sido a nossa vida mas não foi. Porque somos humanos e porque confundimos tudo numa imensa baralhação a que chamamos vida, amor, felicidade, ou outra coisa qualquer que nos passe pela cabeça nesse instante...

- MARA!
- Diz...
- Digo o quê, não me ouves, como nunca me ouviste... Odeio-te! E amo-te...

E beijaste-me com uma brutalidade de que não te achava capaz. E desapareceste. Nunca mais te vi, mas sei que não, definitivamente não ficaste feliz...

Enquanto houver estrada para andar, eu vou.


"Enquanto houver estrada pr'a andar, a gente não vai parar,

Enquanto houver ventos e mares, a gente vai continuar, enquanto houver ventos e mares..."

E é sempre a mesma estranha sensação, a de sentir que deixo algo em cada estação. Como quem vai de férias prolongadas e sente, a meio do caminho, uma súbita vontade de voltar atrás para ver se trancou a porta... Por mais que viaje, esta sensação volta sempre com um ligeiro gosto de familiaridade, de quem se afirma num tom irónico: Ainda estou aqui, lembras-te? E toca-me e persegue-me mesmo sem que eu lhe preste atenção, parece querer dizer-me: Falta-te ainda algo importantíssimo, espera...

Talvez seja a maneira que o meu subconsciente encontrou para me falar, após demasiadas tentativas da consciência que eu ignorei...Talvez seja a sua maneira de me dizer que me falta ainda encontrar uma parte de mim, que terei perdido um dia não sei bem onde nem quando... Talvez seja a sua maneira de me mostrar que as renúncias que faço à vida são as mesmas que faço a mim mesma.

Uma vez alguém me disse:

- Tens um esgar enlouquecido nos olhos com que olhas todos e não olhas ninguém... É próprio das pessoas que fogem de si mesmas, temendo até encontrar-se no reflexo do olhar de um desconhecido, como eu! Foges de ti mas ainda não te apercebeste de que é uma corrida à toa, desgastas-te e consomes esse fogo que nasce e morre em ti numa corrida louca como se fugisses da tua sombra... E só na escuridão completa é que deixas de sentir a sombra e é para lá que te diriges, mas enganas-te como só os insanos conseguem enganar-se...Quando lá chegares, se lá chegares tudo o resto será a tua sombra e não saberás disso porque não terás um mínimo de luz para te aperceberes dos contornos.. Pensarás que venceste, mas estarás a morrer para o mundo...

- E como sabes tu o que posso sentir? Como sabes do que fujo, e como sabes para onde fujo?

- Porque me reconheço nesse olhar que carregas como um fardo...Fugi de mim muito tempo, mas na verdade nunca na minha vida me encontrei...

Voltei os olhos um só instante, porque me magoam os olhares íntimos das pessoas com quem me cruzo e quando me virei para o encarar com outra pergunta encontrei apenas o espaço à minha volta, que de tão vazio parecia a eternidade de um final eminente... Um aperto no peito e um nó na barriga aturdiam-me qualquer vontade em mover um só músculo que fosse, e fiquei ali imóvel tentando pensar no que se estava a passar comigo e com o mundo...

Não vale a pena fugir de mim e do que sinto. Não vale. É uma incongruência. Já sei. Já aprendi esta lição. Agora, o próximo combóio não vai ser de fuga, mas de encontro.