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Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Hoje foi bom.

    E... é isto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na minha vida tenho muitas coisas pelas quais me sinto profundamente agradecida. Mesmo as piores e mais dolorosas provas porque passei, hoje, à distância do que já foi, trazem consigo um sentimento de agradecimento... quase uma purificação da alma... Porque me fizeram crescer (para lá do meu metro e cinquenta e três),  mas sobretudo porque me dignificam na fidelidade que tenho aos meus princípios e valores!

 

Mas a minha maior riqueza são as pessoas com que me rodeio. E hoje foi dia de encontros com pesssoas queridas. 

 

Almocei com dois seres fantásticos que fazem parte do que sou. E na nossa conversa descontraída, uma grande amiga, disse-me em tom de brincadeira, que se fosse homem, era comigo que casava! Que não queria mais ninguém. Rimo-nos e brincamos à volta desse cenário. Foi um grande elogio, sobretudo se pensarmos que saímos ambas de relacionamentos que não deram certo... Ela já há muito tempo, e eu, mais recentemente. Mas não. Hoje adoto o celibato como meu parceiro. Troco os arrepios do toque, pela paz de espirito (é o que eu digo, em tom de brincadeira, mas que não deixa de ter um fundo de verdade).

 

Mas sim, hoje sinto que eu não sou só eu. Eu também sou os meus amigos e a minha família. Pois trago-os dentro de mim, porque as nossas vivências  e conversas acabam por influenciar os meus pensamentos e ações.

 

E, nas amizades recentes, com que me vou cruzando, também surgem pessoas que me vão marcando. Mesmo aquelas cujas semelhanças igualam as diferenças que encontramos entre nós. Mesmo aquelas cujas discussões que vamos tendo se vão cansando de existir e acabamos por dar espaço a uma espécie de concordância num desacordo, sobre o tópico em questão. E hoje também foi dia disto. E foi bom ver que, apesar dos desacordos, estamos lá para quando for preciso. Mesmo sabendo que tudo poderia ter sido diferente do que já foi, se fossemos outros, noutro tempo. 

 

 

Bateram-me no carro!

Bateram no meu carro!

 

Pois é! Às vezes é preciso ter azar... Ou sorte! Já conto e já se decide para que lado pender...

Comprei o meu carro há pouco mais de um mês! (não novo, que ainda não me saiu o euromilhões, mas ajeitadinho, vá...)

E pronto. Foi assim. Num mês, consegui ter a lateral esquerda toda arranhada, sem ter tido ABSOLUTAMENTE culpa nenhuma (e isto, sim... isto é um grande feito! Quem me conhece sabe do que falo! Porque embora sendo uma excelente condutora, tenho como grande defeito o de exceder, por diversas vezes, os limites de velocidade, e portanto, quando bato... não são só uns risquinhos...)

 

Mas bem, estava eu "sossegadinha" (que é como quem diz  - a labutar como uma moura!) no meu local de trabalho, quando toca o telefone... Um número de Lisboa?!? Franzi o sobrolho... Atendi, esperançada que não fosse nenhuma ação publicitária de um banco, ou companhia de seguros, ou outra coisa qualquer... De facto, era alguém de uma companhia de seguros, mas da minha companhia de seguros, que pedia para me deslocar ao lugar onde tinha deixado a viatura estacionada, e me informava também de que já se encontravam no local os agentes de segurança....

 

Ups... - pensei! Vamos lá ver o estado da coisa! E saí em passo acelerado, com uma imagem similar a esta na minha cabeça: 

 Quando cheguei ao local, já se tinha instalado uma pequena romaria: entre o senhor que me havia raspado a lateral, dois agentes da polícia municipal, dois agentes da gnr (nunca percebi porque razão é que andam sempre aos pares... passa-se o mesmo com as testemunhas de Jeová ou com os Mórmons... mas se calhar sou só eu que sou anti-social e gosto de andar sozinha...), a senhora da loja em frente, e os espetadores da esplanada ao lado... havia de facto muita gente!

E eu, quase nem os via, pois os meus olhinhos só queriam ver bem o lado do carro que estava virado para a estrada... Ok... pensei - não há sangue, não há farolins no chão... e ... ufa! Era pouco mais que isto:

 

 

Lá me apresentei  e um dos agentes da polícia municipal informou-me do sucedido e fez as apresentações necessárias: Este senhor (o sr. A) ia a passar e calculou mal a distância que o separava do seu carro e raspou-lhe a lateral. Como vimos tudo, chamamos os agentes de segurança e entramos em contacto com a sua companhia através do número que está no dístico...

O sr. A, um rapaz novinho de vinte e poucos anos, veio apresentar as suas desculpas e prontificou-se a preencher a declaração amigável, responsabilizando-se pelo sucedido.

Os srs agentes de segurança, já que eu nao ia apresentar queixa nenhuma, foram levantar as ocorrências que tinham que levantar.

Os lojistas voltaram aos seus afazeres e o pessoal da esplanada sossegou enquanto eu e o A. nos sentamos numa mesa a preencher papelada... O A. era novato nestas coisas (era a primeira vez que batia! Com o carro, claro, que das outras coias não tenho que saber!) e eu lá tomei as rédeas da coisa e armei-me um bocadinho em pro, no preenchimento da declaração amigável (que é coisa simples, mas para quem está nervoso e a tremer, pode gerar confusão!).  Preenchida a declaração, bebido o café e fumado o cigarro, lá nos despedimos - ele com a sensação de dever cumprido, e eu com aquela sensação de "Ora Bolas!" - e é curioso, porque agora que penso nisto, à distância, dou-me conta que, em muitos casamentos, a ligação sexual deve funcionar assim... com base nestas duas sensações emparelhadas... 

 

Mas pronto! Não houve mortos nem feridos!

 

Tudo tratado, agora as seguradoras que se entendam! Valeu a agitação da coisa, mas agora que arrefeceu, sinto o calor das coisas mornas (e,oh god! como eu detesto coisas mornas !!!! Para mim, ou quentes ou frias, mas isso já eram outros quinhentos!) a apoderar-se de mim e quero o meu bichinho de volta sem riscos!!!!

... Mas depois penso: Correu bem! A culpa, desta vez, não foi minha!

A imortalidade

 

Ontem levei a sepultar uma pessoa muito querida por toda a família. Uma matriarca sábia que enriqueceu indelevelmente as vidas que se cruzaram com a dela.

Eu tive esse privilégio e dei por mim a pensar...

 

Por mais que seja um facto inegável o desejo de perpetuação da vida, inerente à nossa condição humana, a morte não é o fim último. Não é, porque nós somos mais que biológicos. Mais que matéria, somos energia... E, se vivermos uma vida grande, podemos efetivamente viver para sempre. Quem me conhece, sabe que apesar de emotiva e sensitiva, sou uma fortaleza que não cede a lamechices e, portanto, quando digo que podemos viver para sempre, nao estou a falar de "viver para sempre nos nossos corações" ou "transformar-se numa estrelinha no céu", por muito bonito que isto possa parecer... 

 

A imortalidade de que falo atinge-se quando vivemos uma vida tão grande que impactamos outras vidas que nos circundam, que imprimimos fragmentos do que somos nas personalidades que se moldam em redor de nós. Nesta imortalidade conseguimos uma vida que atravessa gerações, contada em histórias e vivenciada em sentimentos, que não são só de saudade e ausência.

 

As minhas avós foram assim. É um privilégio meu. E sei que vivem em mim e através de mim. Não só dentro do meu coração, que também cá estão, mas porque gravaram, nas minhas ações e na minha forma de ser, gestos só delas, e cantigas, e afagos, e recomendações, e exemplos... 

 

E há nobreza aqui. Nesta forma de lograr a morte e marcar a nossa presença nas vidas que se prolongam para lá da nossa vida física. Se fizer igual, sou feliz e completa.

 

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive.

           Fernando Pessoa

Entre o 'What if?' e o 'Whatever...'

 

 De repente, o burburinho cessa na minha vida. Há uma pausa que me coloca em suspenso, em silêncio, numa inspiração que se sustém indeterminadamente, e aí eu sei. Sei que é tempo de me ouvir de novo, antes da exalação que permanece adiada, enlaçada num nó na garganta.

 

E lembro a historinha da mosca pousada no quadro - aquela que diz que a mosca pousada na tela só perceciona um fragmento, um borrão de tinta, mas ao afastar-se, voando para longe da tela, consegue apreender o seu significado...

 

 

De facto, penso, a distância clarifica a perceção.

 

And then it hits me - What if?

 

 E se? E se me enganei nalguma curva da vida?

É certo que cada vez que aceitamos um caminho, renunciamos outros. E não há retorno. É a magia da múltipla escolha e do livre arbitrío.

  

But then again... 

 

Reflito: Sempre segui as minhas convicções. Corri atrás do que achei valer a pena. Sempre. Bati o pé e estaquei obstinada, de cada vez que não via caminho em frente.Sempre. Movi-me pela vida regida pela minha força e crença. E no limite, não me desacreditei de nada.

 

E então sei. Não me enganei no caminho. Estou precisamente onde devo estar, porque foi este o caminho que escolhi de forma livre e isenta. Foi este percurso que fez de mim o que sou hoje. 

Se poderia ter sido mais feliz? Talvez. Mas não seria a mesma.

 

And then, it hits me again - Whatever!

 

E exalo de rompante, como se a minha vida inteira se dissipasse num sopro forte e contínuo. O peito, vazio e a arder, exaspera-se por nova inspiração. E então sei. Há um ciclo. Não é um círculo redundante. Mas um ciclo. Ascendente e retumbante. E nesta retumbância regressa a cadência, e afina-se a constância do burburinho... que, cansado da suspensão, volta a afirmar-se inquebrantável na minha convicção de voltar a reger-me pelas minhas leis.

 

 Mercy will we overcome this...

Feliz?

Se estou feliz? 

 

 

Esta questão tem sido recorrente nos últimos dias. A resposta tem sido "Sim, estou". Mas a realidade é que estou a ficar feliz.

 

Há momentos em que a felicidade aparece de rompante, como quando um raio de sol irrompe pela bruma do nevoeiro matinal. Um sorriso, uma piada, um elogio...um detalhe qualquer inesperado que nos alegra o momento e nos faz ficar felizes naquele momento fugaz... que dura uns segundos, ou uns minutos, conforme a intensidade do estímulo incial, mas que depois se desfaz no compasso do dia...

 

 

Mas a felicidade que perdura no tempo, essa constrói-se... Não se fica feliz, assim, do nada! É-se feliz e pronto! Acho que é esta a curiosa a diferença subtil que se esconde entre o "estar feliz" e o "ser feliz".

 

Estou a ficar feliz numa viagem de regresso às origens do que sou, num retorno a um estado de ser feliz, porque não consigo viver de outra forma que não nesta busca de estar bem comigo e de contagiar quem vibra comigo neste mesmo comprimento de onda.

 

Acho que esta é uma das minhas forças.

 

In times like these
In times like those
What will be will be
And so it goes
And it always goes on and on...
On and on it goes

Não voltei!

Passaram mil anos desde os posts anteriores, mas uma coisa sei:

 

Não estou de volta!

 

Não poderia voltar porque não sou a mesma. Cresci, agigantei-me, voei, parti as asas, caí, rastejei, levantei-me, corri, ganhei fôlego e velocidade  e voltei a crescer e a agigantar-me e a voar de novo - vezes sem conta. Acho que a vida é mesmo assim e estas sucessões de rewinds e fast fowards constroem aquilo que vamos sendo. 

 

Hoje sou eu. E carrego em mim a sabedoria de todas as aprendizagens que fiz e a força do amor que nasceu de mim.

 

Não é um re-start. É um loop aberto, que interage com o meio envolvente. O prolongamento da vida, a continuidade do que vamos sendo. A ser celebrado sempre. Vamos brindar a isso.

 

 

Fixing up a car to drive in it again
Searching for the water, hoping for the rain
Up and up, up and up
Down upon the canvas, working meal to meal
Waiting for a chance to pick your orange field
Up and up, up and up