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Meia Laranja Inteira

Halfway there...

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Halfway there...

As relações vazias em estudo

Se há projetos engraçados, em que as pessoas dão mesmo e literalmente o corpo ao manifesto, estão este é um deles. Ao que parece um jovem artista russo - Mischa Badasyan - decidiu levar a cabo a experiência de manter relações sexuais durante 365 dias (até aqui, tudo ok...) mas com 365 pessoas diferentes!

 

Sobre este projeto, podem ler aqui ou aqui! Até entendo a motivação artística do jovem, de querer provar a superficialidade das relações vazias, voláteis e desprovidas de emoção... diz ele - "em especial, entre os homossexuais". Mas havia necessidade?

 

As conclusões que o Mischa (sim, vou resistir ao trocadilho evidente que se pode fazer com este nome e um outro atribuído à genitália masculina) retira daqui parecem-me transparentes:

  • Depois de cada encontro o Mischa sentiu-se triste e chegou mesmo a chorar em muitas ocasiões. Ah, e tal, o vazio que se acercava dele e que acabava por extravasar em lágrimas, o sentimento de querer algo maior e mais profundo (relacionalmente, claro!)... Ok, eu entendo isto, mas fica um apontamento pequeno... Foi assim tão mau!?! Mas quem é que ele arranjou para lhe tratar dos castings? Ok, ok... vou parar por aqui....
  • "Frente a la expectación de sentir algo nuevo cada día, Badasyan se encontró con una soledad enorme que le llevaba al vacío." Mas ele sentiu algo novo em cada dia, certo?
  • Não se consegue viver apenas de sexo e a relação emocional com outra pessoa também é importante. Mas descobriu a pólvora, foi? 
  • "Depois de conhecer tantas pessoas e ter novos parceiros sexuais todos os dias percebi que gostaria de passar mais tempo com alguém” Mischa, a sério... Anda meio mundo à procura da alma gémea para "experenciar" o amor maior e só agora é que chegas lá...?

Pois é...Sobre as relações... 

Para mim, é ponto assente. Tem que haver faísca, emoção, cumplicidade e sentimento. Tem que haver tudo, senão resulta num enorme nada. Nunca fui de aceitar a mediocridade nas relações, tem de ser excelente. Ou então, não é de todo! E quando falo em excelência, não falo em perfeição, porque essas relações perfeitas, essas não existem na realidade... Falo de relações de excelência quando falo em arrebatamento, em surpresa e em comprometimento. Em dar as mãos, sorrir e ser feliz num minuto suspenso no tempo que pára naquele instante. Em colocar toda a minha força numa discussão que acho que merece a pena discutir. Em conseguir ficar num silêncio calmo que não traz constrangimento de espécie nenhuma. E em ter pressa para terminar a frase de alguém porque sabemos que estamos lá, a seguir o mesmo trajeto no raciocínio... 

Não acredito na história de "sermos um". Temos de ser dois, pois só nas diferenças é que conseguimos amar-nos a sério. Mas temos de ser dois a querer a unicidade. Com urgência em estreitar a distância que separa espacial e temporalmente.

 

E contudo, deve ser por isto. Algo deve estar errado na minha fórmula.

 

Sem Título22.jpg

 (Algures nas ruas de Guimarães, a verdade ressalta no asfalto quente, suado e apinhado de gente.

Passem as pessoas que passarem, parece que a verdade se encontra apenas no encontro de duas...)

Foto em 31.07.2016

 

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