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Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Uma paixão antiga

 

De volta às salas de aula!

E sinto-me como se nunca tivesse deixado de pertencer aqui... No último par de anos, a minha vida obrigou-me a reformular estratégias de vida e a tomar decisões difíceis. Uma delas foi a de abdicar do meu amor pelo ensino, em detrimento de um salário justo, condições mínimas de estabilidade, entre outras questões ligadas à vida real de uma mãe que tem que providenciar sustento às crias e contas para pagar ao fim do mês...

Nos últimos dois anos, desenvolvi, com sucesso, outra atividade profissional... que me enriqueceu enquanto pessoa, com a qual me comprometi a 100%, mas que de facto, não me instigou a mesma paixão que encontro no ensinar, no aprender, no fazer descobrir... mas sobretudo no grande desafio que é trabalhar com as nossas crianças e jovens (mesmo os mais difíceis!).

Esta mudança tem-me roubado muito tempo, as minhas crianças (ou melhor, as otites e laringites das minhas crianças) não me têm dado muitas tréguas...

E é isto: No meio das planificações, das avaliações intercalares, da preparação de aulas, dos ben-u-rons, dos lenços ranhosos, do horário rígido dos antibióticos...tinha que encontrar um bocadinho de tempo para vir cá dizer:

 

 - Estou bem! Agradecida, feliz e cansada. Mas estou maravilhosamente bem!

(As crias também vão ficar. Sei que sim.)

Sobre a manifestação dos taxistas...

Hoje os taxistas "manifestaram-se" / "protestaram" contra a Uber...

Considero o aparecimento destas plataformas de transporte (como a Uber)  uma consequência da evolução tecnológica e social, a que temos o privilégio de assistir nesta era. Penso que trazem competitividade e melhoria ao serviço de transportes. No entanto, os vazios legais que possam beneficiar estas plataformas, em detrimento dos taxistas, têm de ser preenchidos e as injustiças que possam existir devem ser eliminadas. Mas isto sou só eu.

 

Os protestos de hoje tiveram direito a acompanhamento "ao minuto" pelos meios de comunicação social e mereceram hashtags nas redes sociais, tal foi a sua dimensão.

De facto, as redes sociais e os media não deixaram passar em branco os atos de violência física e verbal desta manifestação. É legítimo.Também condeno a violência. Sempre e de todas as formas.

 

Agora não podemos embarcar numa onda de crucificação generalizada de todos os taxistas... E parece tão tipicamente português...  abraçar assim uma opinião grupal e sem individualidade ...

 

Por outro lado, este protesto veio consumir um pouco do espaço que a Maria Leal havia ocupado nas redes sociais... E isso é sempre bom!

 

Indícios #2 e #3

 Já falei aqui dos indícios, num post anterior...

 

Indício #2

 

- Olha, olha! Um miradouro! Vamos lá ver! (eu, com a excitação infantil que antecede a aventura de percorrer uma estrada estreitinha e pitoresca, numa aldeia antiga, mas nova para mim)

 

- Estás maluca?!? Não vou meter o carro naquele beco... E se depois não conseguimos dar a volta? (ele)

 

E eu engoli em seco e o meu olhar encheu-se de desânimo... Ainda disse que de certeza que havia espaço do outro lado, e, nao havendo, eu fazia a marcha a trás que fosse precisa... 

Não fomos. Continuamos viagem. E a marcha a trás foi feita alguns anos depois.

 

 

Indício #3 (recorrente)

 

 - Que queres fazer hoje? (eu)

 - Não sei, o que tu quiseres... (ele. E eu sei que isto quer dizer subliminarmente: não podemos ficar em casa no sofá a ver TV?)

 - Podíamos fazer uma coisa nova... Vamos até ao centro histórico e depois podemos jantar naquele sítio novo, o XPTO..? (eu)

 - Hum... Não me apetece muito caminhar... e depois também não quero gastar dinheiro no jantar. (ele) 

 - Pronto, vamos só ao centro histórico tomar um café na esplanada, ok? (eu)

- Tu e a tua mania de quereres sair sempre... Prefiro ficar antes aqui. (ele)

 

E ficou. E eu fui. 

Assim não havia mesmo espaço para o "ficamos" nem para o "fomos"... porque estavamos juntos, mas isoladamente. Até que deixamos de estar.