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Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Meia Laranja Inteira

Halfway there...

A imortalidade

 

Ontem levei a sepultar uma pessoa muito querida por toda a família. Uma matriarca sábia que enriqueceu indelevelmente as vidas que se cruzaram com a dela.

Eu tive esse privilégio e dei por mim a pensar...

 

Por mais que seja um facto inegável o desejo de perpetuação da vida, inerente à nossa condição humana, a morte não é o fim último. Não é, porque nós somos mais que biológicos. Mais que matéria, somos energia... E, se vivermos uma vida grande, podemos efetivamente viver para sempre. Quem me conhece, sabe que apesar de emotiva e sensitiva, sou uma fortaleza que não cede a lamechices e, portanto, quando digo que podemos viver para sempre, nao estou a falar de "viver para sempre nos nossos corações" ou "transformar-se numa estrelinha no céu", por muito bonito que isto possa parecer... 

 

A imortalidade de que falo atinge-se quando vivemos uma vida tão grande que impactamos outras vidas que nos circundam, que imprimimos fragmentos do que somos nas personalidades que se moldam em redor de nós. Nesta imortalidade conseguimos uma vida que atravessa gerações, contada em histórias e vivenciada em sentimentos, que não são só de saudade e ausência.

 

As minhas avós foram assim. É um privilégio meu. E sei que vivem em mim e através de mim. Não só dentro do meu coração, que também cá estão, mas porque gravaram, nas minhas ações e na minha forma de ser, gestos só delas, e cantigas, e afagos, e recomendações, e exemplos... 

 

E há nobreza aqui. Nesta forma de lograr a morte e marcar a nossa presença nas vidas que se prolongam para lá da nossa vida física. Se fizer igual, sou feliz e completa.

 

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

Brilha, porque alta vive.

           Fernando Pessoa

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