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Meia Laranja Inteira

Halfway there...

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Fico feliz - Uma histórinha

Hoje ainda tive tempo de dar uma volta a uns papéis que tinha cá por casa e encontrei uma historinha... Trouxe-me à memória vivências intensas dos meus tempos de Universidade. Bons tempos!
Cá está ela!
Fico Feliz...’

- Fico feliz por estares feliz. - Lembro-me de te ouvir, e lembro-me ainda de ver tristeza no teu olhar...

- Mas devias estar feliz por TI, estar feliz só por estares feliz. – Pensei enquanto sorria sem sequer saber porque sorria... talvez fosse o reflexo daquela sensação nova que me preenchia, a sensação de abraçar uma outra vida. Contudo o meu cérebro recusava-se a aceitar facilmente aquela frase e propunha-se já a divagar sobre ela...

- Fico feliz por estares assim... feliz! – Repetias-te e interrompias-me a linha de pensamento que havias desencadeado, momentos antes, sem que te apercebesses do emaranhado de ideias que me ressurgia à mente naquele instante.
Havia tristeza no teu olhar e não, definitivamente não estavas feliz. Pela simples razão de que ninguém nunca se contenta com a felicidade de outrem. E principalmente com a felicidade daqueles que ama...

- Amavas-me?


... ou julga amar em determinado instante.

- Sim, amavas-me naquele momento frágil suspenso entre nós, como se se inventasse e não existisse realmente... Também eu te havia amado noutros fugazes momentos. Como quando te amei num olhar que me tocou a alma numa praia deserta despida de corpos. Amei-te aí, e eras só olhos que me levavam para o infinito de sítio nenhum. Amei-te outra vez enquanto adormecia na curva do teu ombro e brincavas com o meu cabelo. Eras só mãos e eu amei-te nesse instante como em tantos outros que se seguiram e como noutros não te amava nem um pouquinho e como noutros chegava a odiar-te...


Não cabe nos limites daquilo que, sinceramente achamos concebível, que alguém possa ser feliz sem que encontre lugar na sua vida para nos receber. Somos assim porque somos humanos e no entanto este sentimento egoísta é destilado em segredo porque não admitimos, sequer perante nós, que a felicidade de alguém longe da nossa nos dói e incomoda. Como uma pedra no sapato que adiamos remover porque acabamos por acomodar-nos àquele incómodo. Porque a dor espicaça a sentirmo-nos vivos. E esta raiva toma um peso maior quando o dono de tamanha felicidade é também o dono de nós, de nossa vida, nosso amor...

E surge assim a agressividade surreal camuflada em frases coerentes cuja coerência não resiste à dissecação mental que exerço agora. É aqui que o amor também toca o ódio.

- Ei Mara! Estás a ouvir-me? Em que é que estás a pensar? – Ouvir o meu nome da tua boca despertou-me, não me lembrava já de quando tinha sido a ultima vez que o tinhas dito...

- Nada, estava só a pensar...
- A pensar...como sempre no teu mundo de divagações... Nunca me ouve, nunca me ouviste!
- Estava a ouvir-te... João, não sejas assim... Só que estava a pensar que já há muito tempo que não conversávamos, como duas pessoas civilizadas, sem gritos... – Mas tinhas razão, não tinha ouvido uma palavra do que tinhas dito.

Toca o ódio...

Quando começamos a exigir mais do que a felicidade de quem nos faz feliz com a sua presença. Quando começamos a exigir a presença, a participação da sua vida na nossa vida, até que a tornamos na nossa própria vida... é aqui. Que o amor toca o ódio.
Mata-se o belo que poderia nascer porque se confundem os papéis, se confundem as histórias da Minha vida e da Tua vida e de qualquer coisa que poderia ter sido a nossa vida mas não foi. Porque somos humanos e porque confundimos tudo numa imensa baralhação a que chamamos vida, amor, felicidade, ou outra coisa qualquer que nos passe pela cabeça nesse instante...

- MARA!
- Diz...
- Digo o quê, não me ouves, como nunca me ouviste... Odeio-te! E amo-te...

E beijaste-me com uma brutalidade de que não te achava capaz. E desapareceste. Nunca mais te vi, mas sei que não, definitivamente não ficaste feliz...

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