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Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Enquanto houver estrada para andar, eu vou.


"Enquanto houver estrada pr'a andar, a gente não vai parar,

Enquanto houver ventos e mares, a gente vai continuar, enquanto houver ventos e mares..."

E é sempre a mesma estranha sensação, a de sentir que deixo algo em cada estação. Como quem vai de férias prolongadas e sente, a meio do caminho, uma súbita vontade de voltar atrás para ver se trancou a porta... Por mais que viaje, esta sensação volta sempre com um ligeiro gosto de familiaridade, de quem se afirma num tom irónico: Ainda estou aqui, lembras-te? E toca-me e persegue-me mesmo sem que eu lhe preste atenção, parece querer dizer-me: Falta-te ainda algo importantíssimo, espera...

Talvez seja a maneira que o meu subconsciente encontrou para me falar, após demasiadas tentativas da consciência que eu ignorei...Talvez seja a sua maneira de me dizer que me falta ainda encontrar uma parte de mim, que terei perdido um dia não sei bem onde nem quando... Talvez seja a sua maneira de me mostrar que as renúncias que faço à vida são as mesmas que faço a mim mesma.

Uma vez alguém me disse:

- Tens um esgar enlouquecido nos olhos com que olhas todos e não olhas ninguém... É próprio das pessoas que fogem de si mesmas, temendo até encontrar-se no reflexo do olhar de um desconhecido, como eu! Foges de ti mas ainda não te apercebeste de que é uma corrida à toa, desgastas-te e consomes esse fogo que nasce e morre em ti numa corrida louca como se fugisses da tua sombra... E só na escuridão completa é que deixas de sentir a sombra e é para lá que te diriges, mas enganas-te como só os insanos conseguem enganar-se...Quando lá chegares, se lá chegares tudo o resto será a tua sombra e não saberás disso porque não terás um mínimo de luz para te aperceberes dos contornos.. Pensarás que venceste, mas estarás a morrer para o mundo...

- E como sabes tu o que posso sentir? Como sabes do que fujo, e como sabes para onde fujo?

- Porque me reconheço nesse olhar que carregas como um fardo...Fugi de mim muito tempo, mas na verdade nunca na minha vida me encontrei...

Voltei os olhos um só instante, porque me magoam os olhares íntimos das pessoas com quem me cruzo e quando me virei para o encarar com outra pergunta encontrei apenas o espaço à minha volta, que de tão vazio parecia a eternidade de um final eminente... Um aperto no peito e um nó na barriga aturdiam-me qualquer vontade em mover um só músculo que fosse, e fiquei ali imóvel tentando pensar no que se estava a passar comigo e com o mundo...

Não vale a pena fugir de mim e do que sinto. Não vale. É uma incongruência. Já sei. Já aprendi esta lição. Agora, o próximo combóio não vai ser de fuga, mas de encontro.

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