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Meia Laranja Inteira

Halfway there...

Meia Laranja Inteira

Halfway there...

História de um Natal diferente

A idéia de juntar pedaços de nós numa história de natal diferente nasceu num


asteróide


e brilhou, pela primeira vez, num


cantinho onde as palavras ganham vida


e brincam de mãos dadas com as emoções que trazemos dentro.


Hoje, vou polvilhar canela no mel que o


Redjan


adicionou ao nosso Natal...


.


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Cá vai, o sétimo capítulo!


.


.


Carlos reparou então nos olhos acabados e gastos dos seus tios, de onde saiam lágrimas molhadas em esperanças ao nada arrancadas, nos olhos de firmeza feita naquela Teresa que agarrara num lume nunca perdido, olhou para dentro de si e pela primeira vez desde criança de colo voltou a sentir a força de um beijo, um beijo velho de vinte anos, cujo sabor o guiara de volta !


.


Havia conseguido muito. Uma carreira brilhante, a casa com que sonhara, os olhares de reconhecimento que merecera...Mas faltava-lhe algo, queria mais da sua vida... tinha saudade da paixão, do calor de sentir algo a agitar-se dentro de si... Mas, faltava-lhe algo... Sentia falta do sabor a frutos de uma pele morena a que havia conhecido o cheiro, o sabor, a textura e a côr de cor...
Passaram-se anos e hoje sabia... Não a teria mais. E, de súbito, ganhara uma filha... Havia muito que se esquecera de a desejar na sua vida, achava que não tinha paciência para as crianças dos outros, quanto mais para uma sua... Hoje não tinha uma criança... Mas uma filha mulher, com vinte anos... e Jesus! Como lhe lembrava a sua mãe, naquela noite...no tapete da sala... Tinha a sua tez, a sua força no olhar... e como o olhava! Jesus...

.

- Afinal, és tu o meu pai... - Inês aproveitou o momento em que ficamos sozinhos na sala, depois da janta, e olhava para mim com uma altivez de rainha, fazendo-me sentir pequeno... Teria aprendido isso com a mãe?

- Sou? Sou. - gaguejei, procurando com os olhos alguém que me viesse salvar daquele olhar inquisidor - Se eu tivesse sabido antes...Inês.

- Se tivesses sabido antes, não mudaria nada... Não foste capaz de aceitar um amor na tua vida, como aceitarias dois?

Teria ela razão? Pensava nisso... mas antes que pudesse articular uma palavra que fosse, a Inês deu seguimento à conversa...Parecia que a havia planeado meticulosamente...

- Não espero nada de ti, porque apesar de não te ter conhecido antes, sei que não deves ser uma pessoa de quem se possa esperar algo... coerência, pelo menos, não... tenho pena que tivesses feito sofrer a minha mãe, da forma como fizeste... Ela continua a pensar em ti, eu sei que guarda ainda os pedacinhos de papel que lhe escreveste, dentro de livros velhos que penso terem sido teus também... Se a amas realmente, como me parece ver nos teus olhos, procura forças dentro de ti e age como um Homem, pelo menos uma vez na vida. Amanhã é véspera de Natal e o dia seguinte traz a magia de um nascimento maior... por cá, diz-se que nessa noite, tudo pode ser possível...
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Agora, a sua voz alterava-se... havia um choro contido. Nunca conhecera este tom na sua mãe, devia-o ter herdado de mim... E eu fiquei ali sem palavras. Estático, sentindo-me estúpido ao rebobinar a conversa anterior na minha mente...
Mas não era altura de 'rewinds' e com a presença de Teresa na sala, seguiu-se um 'fast forward', e dos valentes...
- Mas, rapariga, cala-me essa boca! Mas que raio de conversa é essa? Foi isso que te ensinei? Vê lá se queres que te enfie dois bufardos nessa boca, como me parece estares a merecer há muito... Ai, a mania de gente grande a querer reinar em peixe miúdo... - Entra a Teresa de rompante na sala...

A Inês olha-a aturdida. Também ela não tinha notado a sua presença...

- O que me ensinaste?!? O que é que TU me ENSINASTE? A evitar amores com medo do sofrimento de ausências? Não sou assim mãe... E para que saibas, porque pensas que me conheces, mas não me conheces nada... Para que saibas... Estou grávida. Estou grávida do Quim. - e desatou num pranto como se a sua altivez se tivesse esgotado no discurso que tivera...

As luzes de Natal iluminavam-lhe a cara e incendiavam-lhe as lágrimas com tonalidades de falsa animosidade natalícia... e eu não resisti a abraçá-la, à Inês, à minha filha que acabara de conhecer. A Teresa juntou-se a nós e senti-lhe o calor e o cheiro e voltei a desejar nunca a ter deixado de fora da minha vida.
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A história deve continuar... nesta caixinha.

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