Depois da tosse, do choque, da cama com direito a chá quente com bolachas...
Parece que volto restabelecida...
Pronta para voltar para a loucura que é dar aulas ao meu sétimo ano e a tempo para levar os garotos do décimo à visita de estudo à Serra D'Aire (Deus queira que não chova e que eles se portem bem)...
Pronta para orientar portefólios no RVCC, para as reuniões-massacre, para as formações que parece que fazem parar o tempo...
E depois disto... Tenho de me lembrar "Estás grávida! Tens de abrandar!"
E depois, ainda volto a pensar "Poderei demitir-me por falta de condições, como fez o Paulo Bento?"
Sem muito tempo, nem muita disposição para me alongar em palavras minhas.... Às vezes a música exprime bem aquilo que a minha voz não consegue soltar...
Tenho andado very busy com as aulinhas, as formações que tenho que fazer para ter boa avaliação (LOL;LOLOLOL) e com os vestidos de noiva, com as quintas de noiva, com os ramos de noiva...and so on, and so on!
Pois é... há muito que não me era possível, ou não tinha a disposição necessária para passar por aqui!
E quando não há disposição, não há remédio!
Porque eu só faço aquilo que quero, quando quero e bem me apetece (a não ser que se trate de trabalho efectivamente remunerado - aí tenho mesmo de dar o corpo ao manifesto, quer queira quer não. Porque é mesmo assim que tem que ser, uma vez que as contas não aparecem pagas ao final do mês!)
Tenho tido contacto com pessoas que tiveram grande importância em certos momentos da minha vida. Quando era mais jovem, cheia de sonhos, de energia e de vontades!! Não que agora não os tenha (aos sonhos, energia e vontades), mas cresceram como eu e modificaram-se, acomodando-se na mulher que sou hoje!
...
Mas como estava a dizer, as conversas com esses amigos despertaram em mim lembranças boas e uma dose de saudade e nostalgia activa (não sei porquê associo sempre a palavra nostalgia a passividade, não acho mesmo que tenha de ser assim!)!
Dei por mim ouvir descrições de comportamentos meus que agora não são assim tão meus! Claro que cresci, que me modifiquei e que abracei a parte boa de ser adulta, sem perder "os milhares de crianças loucas que trago dentro"...
...
Mas... penso agora:
Quantos pedaços de nós temos mesmo de perder quando crescemos???
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Quantos não sei bem, e também não fiz o balanço certo de quantos ganhei... Mas, será possível superar a pessoa que fui? Serão sempre estas trocas de pedaços efectuadas com consciência? Será possível continuar a afastar-me da sensação de liberdade e dança que tinha dentro de mim, de tal forma que ganhe raízes e razão? Tenho saudades de mim. Da miúda sedenta de vida que só tinha uma resposta ao mundo e essa resposta era sim. Que negava a razão em tudo o que pudesse ser emotivo!
...
E por outro lado...
...
Sabe bem a estabilidade. A certeza do dia seguinte. O planeamento do futuro próximo. A responsabilidade reconhecida. Sabe bem, mas será que preenche?
As minhas amigas foram mães recentemente, estão grávidas ou a pensar em engravidar.
Parece que afinal não é mentira - Temos mesmo um relógio biológico!
E depois eu penso (só de vez em quando, claro) que isto de esperar pelo momento certo para que tudo corra bem parece mais é uma verdadeira perda de tempo. Sim, porque nestas coisas o tempo conta. Não basta parecermos mais novas, agirmos como se estivessemos cheias de juventude... Não basta porque há uma questão importantíssima que se levanta:
Como estarão os meus oócitos???
Enquanto espero o resultado dos exames médicos espero e desespero porque sei: tenho de deixar de fumar e tenho de arranjar um sítio para guardar as minhas papeladas porque vou deixar de ter escritório!
Enquanto deixo o tempo passar, deixo um beijo às mamãs que eu sei que passam por aqui sem comentar.
Porque hoje é sábado... Acordo com um sorriso nos lábios e salto da cama. Visto umas calças confortavelmente largas e dou descanso à maquilhagem. O cabelo? Amarro-o na base da cabeça com um elástico colorido. Já está!
Vou levar o lixo e a reciclagem aos respectivos contentores e tomar café numa esplanada, onde passo os olhos pelo jornal.
Volto para casa e SEI que ainda tenho que me sentar em frente ao computador para pôr o meu trabalho em dia... Mas ... com calma... porque hoje é sábado e é dia de deixar as coisas correrem devagar, de saborear o sofá e respirar fundo na sala perfumada de incenso.